Os conflitos atuais da África são motivados pela combinação de causas variadas, embora predomine, neste ou naquele caso, um determinado componente étnico (Ruanda, Mali, Somália, Senegal), religioso (Argélia), ou político (Angola, Uganda). Isto sem contar os litígios territoriais, muito frequentes na África Ocidental. No meio desses conflitos que atormenta a África neste final de século, estão vários povos e nações que buscam sua autonomia e sua autodeterminação face a poderes centrais autoritários, exercidos muitas vezes por uma etnia majoritária.
Na Somália, oito clãs disputam o poder numa guerra civil que dilacerou completamente o país. Na Libéria, a guerra interna matou mais de 150 mil pessoas e produziu cerca de 700 mil refugiados. Cifra semelhante pode ser verificada na vizinha Serra Leoa. A situação não é muito diferente em países como o Chade ou Sudão. Enfim, são vários e vários conflitos sem perspectivas imediatas de pacificação. Acordos e negociações têm sido tentados, mas sem muito sucesso. Talvez Angola possa se transformar numa exceção, face a mais uma tentativa de paz (a última?) acordada entre o Movimento pela Libertação de Angola (MPLA), no governo, e o seu arquirival, a União Total para a Libertação de Angola (UNITA), organização que durante muitos anos recebeu apoio dos EUA e do criminoso regime do appartheid sul-africano.
O principal objetivo desse blog é proporcionar o debate sobre os temas mais atuais da ciência geográfica e do Mundo.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
As vendas da Argentina para o Brasil caíram 19% nos
primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado,
levando o país vizinho a ser desbancado pela Alemanha como o terceiro mercado
que mais vende para o Brasil.
É a primeira vez que o país vizinho é superado pelos
alemães nas vendas para o Brasil nesse período. No início deste século, ele
também já havia sido batido pela China, que, atualmente, é o país que mais
exporta para o mercado brasileiro, à frente dos EUA.
A vantagem da maior economia europeia é de poucos
milhões de dólares (ambos venderam cerca de US$ 5,8 bilhões até maio), mas há
também um significado simbólico na perda de espaço do parceiro de Mercosul.
Uma das dificuldades das vendas argentinas é que, diferentemente
das alemãs (que são bastante diversificadas), elas estão muito concentradas em
poucos itens.
Por isso, uma queda nas exportações de algum deles já
tem efeito expressivo no comércio entre os dois países. É o que ocorre agora
com duas áreas: veículos (e autopeças) e trigo. Para a economista Marcela
Cristini, da consultoria Fiel, essa concentração em veículos e autopeças --que
é um setor administrado-- é "perigosa".
"A instabilidade de câmbio da Argentina [há
restrições para comprar dólares, o que dificulta o comércio exterior] complicou
a situação."
Para Cristini, porém, o Mercosul segue sendo "um
bom negócio" no longo prazo.
Os carros dominam as transações entre os dos países,
liderados pelos veículos a diesel, que representaram 15% das compras
brasileiras da nação vizinha até abril.
Os automóveis de maior potência (6,93% do total) e os
de menor potência (4,94%) vêm a seguir nas importações brasileiras da
Argentina.
TRIGO
Em quarto lugar nas compras brasileiras do país
vizinho está o trigo, justamente o produto que teve a maior queda, com declínio
de 67% de janeiro a abril ante igual período de 2013.
A Argentina é um produtor tradicional de trigo, mas
tem exportado cada vez menos ao Brasil. Não foi só uma diminuição das vendas
para fora, mas o tamanho da colheita vem diminuindo há cinco anos, diz o
economista Ramiro Costa, da Argentrigo, uma associação de produtores.
Ele afirma que, historicamente, o país produzia cerca
de 15 milhões de toneladas, mas que, nos últimos anos, caiu para cerca de 8
milhões de toneladas.
Um dos motivos para essa queda é a política de
retenção do governo, que, para que o preço interno não suba, obriga o
exportador de trigo a pagar impostos altos.
Com isso, nos últimos anos, muitos produtores optaram
por trocar o tipo de produto e começaram a plantar soja, que é livre de taxas.
Um executivo de uma produtora de trigo, que pede para
não ser identificado, afirma que espera que esse declínio se reverta nos
próximos anos e que o tamanho da produção volte aos níveis históricos --e,
então, voltar a fornecer toda a necessidade do mercado brasileiro.
Folha de São Paulo
terça-feira, 29 de abril de 2014
O Imposto de Renda e a realidade do Brasil
A Declaração anual do Imposto de Renda – pessoa física - 2014 está
chegando ao fim e com ela a abertura de um grande debate sobre o destino do
capital gerado pelo Governo em forma de impostos. Este ano, o cidadão que
obteve rendimentos anuais acima de R$ 25.661,70 em 2013 tem que declarar. A
lógica do Governo é que o capital arrecadado é transformado em investimentos
que são necessários à população brasileira como, saúde, transporte,
infraestrutura, habitação e segurança.
Entretanto, a radiografia sócio urbana do Brasil identifica que tais
investimentos não estão sendo feitos. A segurança pública apresenta dados
alarmantes. Em 2013 ocorreu 50.000 assassinatos, em média são dezenove (19)
assassinatos para cada cem mil habitantes (19/100.000 hab.) é praticamente o
dobro do recomentado pelo ONU. Até abril de 2014 foram registrados vinte e
cinco (25) homicídios para cem mil habitantes (25/100.000 hab.). E mais, o
Brasil tem dezesseis das cinquenta cidades mais violentas do Mundo de acordo
com o Relatório Anual da ONG mexicana – Conselho Cidadão para a Segurança
Pública e Justiça Penal. Ainda, com o relatório, o Brasil possui a sexta cidade
mais violenta do Mundo – Maceió.
Não menos importante, e as infraestruturas no Brasil, como estão?
Estradas esburacadas sem manutenção, hidrovias no papel, aeroportos sucateados
e superlotados, e ferrovias por fazerem. Um bom exemplo da gastança do Governo
em obras de infraestrutura é a Ferrovia Norte-Sul. Pensada pela primeira vez em
1927 era pra ser a espinha dorsal do país interligando de Norte a Sul a
economia brasileira. Os setecentos quilômetros entre Anápolis, em Goiás, e
Palmas no Tocantins, ainda não podem ser chamados de ferrovia. O país gastou
mais de 5,1 bilhões de reais e, depois de duas décadas, continua esperando pelo
trem. E, ainda, ficaram tantos problemas resultados de erros de engenharia que
serão necessários gastar mais de 400 milhões de reais.
Contudo, como fica a situação da população de baixa renda que consegue
ganhar (na verdade o verbo adequado não seria esse, e sim conquistar) um
salário-mínimo. Em primeiro de janeiro de 2014 o mínimo passou a valer R$
724,00. Como sobreviver com esse numerário? O custo da cesta básica, de acordo
com o DIEESE – 2014, para Belém é de R$ 296,39 para uma família com quatro pessoas.
Isso representa cerca de 41% da renda mensal do trabalhador. Vale ressaltar
que, deve-se somar ainda os gastos com transporte, energia, água, alimentação,
saúde e habitação.
A Saúde no Brasil é desesperadora. A média de espera para uma consulta
nos postos de saúde das grandes capitais brasileiras é de três meses. Para a
realização de exames pode se chegar a seis meses, sem contar com a precariedade
no atendimento e nas estruturas dos postos. Habitação é outro peculiar desafio.
As favelas não param de crescer junto com as periferias. O poder do traficante
torna-se mais eficiente, uma vez que ele atua onde o Governo não tem a
capacidade de agir: na pobreza. Com a promessa de dinheiro fácil, jovens de
diferentes idades entregam-se ao mundo das drogas, esquecendo da escola, do
emprego futuro e da família.
E o Imposto de Renda, citado logo
no início. Temos que declarar e pagar. Não para melhorar nossa pátria amada, mas para continuarmos
sobrevivendo em um país onde o luxuoso e paupérrimo andam lado a lado e que o
Direito Constitucional é apenas um ponto de vista.
Professor Adriano Costa
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Redes Técnicas e de Transporte
A revolução dos sistemas técnicos e a sua função transformadora
do espaço no período atual podem ser plenamente caracterizadas pela presença de
diferentes tipos de redes geográficas que dinamizam os sistemas produtivos e
redefinem em escala global o uso do território, conferindo novas possibilidades
aos fluxos materiais (objetos, mercadorias, pessoas) e imateriais (dados,
informação, comunicação) ainda que isto ocorra de forma bastante diferenciada
nos lugares. Como os diferentes tipos de redes e de sistemas de transporte não
ocorrem de forma homogênea no território e não atendem aos interesses de todos
os agentes, as funções de articulação das ações e de otimização do trabalho
desempenhadas pelas redes geográficas tornam-se restritas e limitadas, sobretudo
para aqueles lugares e ações que aparecem como sendo residuais (sem
importância) aos interesses do sistema político-econômico hegemônico.
Professor Adriano Costa
China: a nova potencia do século XXI?
Atualmente a China vem sendo classificada, pelos analistas econômicos, como a grande potência do comércio mundial. Porém, a análise do contexto de formação do território chinês a partir do século XV, retrata que o Socialismo de Mercado possibilita o crescimento da economia em detrimento do desenvolvimento social.
Visite o site: http://www.mundovestibular.com.br/articles/6130/1/Historia-da-China/Paacutegina1.html
Professor Adriano Costa
quinta-feira, 16 de maio de 2013
A arte de ter razão: resumo dos 38 estratagemas de Schopenhauer
Em “A Arte de Ter Razão”, Schopenhauer traçou 38 estratagemas para
vencer qualquer discussão, mesmo quando se está errado. Nelas descreve
estratégias para defender suas crenças, ridicularizar seus rivais e
manipular as pessoas. São técnicas que têm efeito de curto prazo, uma
vez que você consegue o seu objetivo no momento (convencer alguém a
fazer/aceitar algo que não deseja) mas algum tempo depois, a vitória
pode se voltar contra nós, quando a pessoa descobrir que foi manipulada.
O link que se segue mostra um resumo dos 38 estratagemas. Conheça-os, pratique-os, e se resguarde da falta de deontologia social.
Por Professor Adriano Costa
sexta-feira, 19 de abril de 2013
A Arquitetura do Extermínio
Para quem não acredita, muito boa informação sobre a escalada gradual
do nazismo germânico pode ser encontrada no filme "Arquitetura da
destruição" ["Undergångens arkitektur"], um clássico do cinema
documentário produzidocom pouquíssimos recursos materiais.
Não nos iludamos quanto à semelhança entre nazistas
históricos e alguns homens do presente (evangélicos ou não) que andam
por aí tratando coisas demasiadamente humanas como se fossem as
trombetas do Apocalipse. O nazismo também começou assim: meia dúzia de
psicóticos atiçando os instintos higienistas do povo, repetindo à
exaustão que a Alemanha estava moralmente poluída, degradada... Deu no
que deu. Logo após a ascensão de Adolf Hilter ao poder, loucos e
alienados já eram incinerados em falsos manicômios secretos. Depois, foi
o Holocausto: ciganos, homossexuais, judeus, negros. Nenhum desses
grupos agradava ao rancor de província dos "certinhos".
O filme reúne uma impressionante documentação fotográfica e
audiovisual sobre o chamado "Terceiro Reich", mostrando inclusive que a
"mania de limpeza" de Hitler e seus comparsas era de uma coerência
horripilante. De maneira monstruosa, baseava-se em padrões formais de
beleza "inspirados" nos contornos do Classicismo e da Antigüidade
greco-romana. Com essa documentação e uma locução primorosa (na voz do
consagrado ator Bruno Ganz), o diretor do filme, Peter Cohen, mostra bem
aos seus espectadores como Hitler foi uma espécie de idiota pop:
confundiu a vida real com a fabricação tirânica de um mundo "puro". E,
como era um borderliner, decidiu "adequar" seu país àquela fantasia
diabólica, eliminando fisicamente os "indivíduos" que, segundo o seu
juízo delirante, eram por assim dizer "pontos fora da curva" em relação a
uma suposta cultura germânica: aberrações e anomalias segundo os
princípios organizadores de sua obssessão. Isso lembra algo sobre o
besteirol conservador atual ao redor dos gays?
Grande parte dos pregadores que hoje jogam sobre nós sua peçonha
patinam nessa mesma loucura esquisóide. Humanismo zero. Seu desvio
consiste em negar aos irmãos o direito à lacuna, ao vazio, à ausência e à
falha, como se fôssemos máquinas retilíneas de obedecer a preceitos.
Por isso, quem tem a cabeça e o coração no lugar certo se assombra
quando vê engravatados em catarse que, em nome de princípios morais
religiosos, glorificam o assassinato brutal de poetas, compositores e
humanistas de todo o tipo. O delírio hitlerista também tinha seu quê de
teocracia: Hitler achava-se um herói cuja missão eram "limpar" a Europa
(e o Mundo) de uma alegada "decadência". E a pior das decadências, para
ele e seus seguidores, era exatamente a "mistura".
No contexto dos debates atuais sobre nazismo e direitos humanos,
sobretudo no Brasil, o filme de Peter Cohen merece ser visto e revisto.
Faz pensar em questões importantes que atravessam a nossa tradição de
tolerância e convivência interétnica, que um punhado de malucos decidiu
agora atacar.
Por José Guilherme
Índios isolados, trabalhadores em fuga: um encontro amazônico
Os seis trabalhadores da construção civil estavam
perdidos em meio à floresta amazônica, no norte de Rondônia. Algumas
horas antes, eles tinham corrido mato a dentro para fugir do caos que
tomara o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, onde a
Polícia Militar reprimia o movimento grevista, em 2011. Depois de andar
cerca de seis quilômetros, o grupo tentava encontrar o caminho de volta à
obra, ou a estrada, ou qualquer sinal de urbanidade. Sem sucesso.
Ao invés disso, foram encontrados.
Índios isolados no Acre, fotografados pela Funai em 2008
Hoje, excepcionalmente, esse espaço não será dedicado a um retrato,
mas a um encontro. Encontro que pode servir de pista para compor o
retrato dos povos indígenas que habitam o nosso país e os quais temos
tanta dificuldade de entender.
Assustados, os trabalhadores da usina se comportaram como
prisioneiros dos índios. Seguiram seus passos e pararam quando eles
sinalizaram. O coração disparava a cada vez que os índios se reuniam em
círculo. Observaram a construção de uma espécie de churrasqueira com
gravetos, onde um porco do mato foi assado. Disfarçando o mal estar,
comeram cada pedaço de carne que lhes foi oferecido. À noite, um dos
trabalhadores foi repreendido pelos colegas por espiar os seios da índia
mais nova, a regra era olhar para o chão.
A madrugada avançou, alguns índios deitaram e adormeceram. Os
trabalhadores ficaram alertas. Pela manhã, caminharam até chegar a um
local onde se ouvia um barulho familiar. Os índios sinalizaram em
direção ao som, disseram algumas frases que ninguém entendeu e foram
embora. Os trabalhadores correram na direção indicada até que, exaustos,
chegaram à rodovia federal BR 364.
Esse relato foi registrado pela historiadora Ivaneide Bandeira
Cardozo, da ONG indigenista Kanindé, que entrevistou um dos
trabalhadores na presença de um funcionário da Funai (Fundação Nacional
do Índio). Ela acredita que os homens e mulheres descritos sejam parte
de um grupo que a entidade e a Funai tentam rastrear há anos. “Pela
descrição, parecem ser Kawahiba isolados”.
“Isolados” são os índios que não têm contato com a nossa sociedade,
ou porque nunca cruzaram com um não-índio (casos cada vez mais raros) ou
porque recusam o contato.
Na região que foi alagada pela usina de Jirau, havia rastros de um
grupo isolado e nômade. A empresa repassou dinheiro para que a Funai
mapeasse esses rastros. Depois de identificados, eles deveriam ganhar
uma área de proteção. Mas o investimento não foi suficiente para
encontrar ou proteger os índios.
Ao contrário, foram eles que encontraram e salvaram os funcionários
da usina. “É difícil entender o que passou na cabeça dos índios quando
viram os trabalhadores perdidos”, reflete Ivaneide. “Por que decidiram
ajudar? Nunca vamos saber”.
O encontro ocorrido em 2011 é o reflexo oposto do desencontro que se
deu na Câmara dos Deputados essa semana. Na terça dia 16, em uma cena
inédita, os deputados federais correram pelo plenário como uma manada
assustada. Fugiam de homens seminus, pintados de urucum e que balançavam
seus chocalhos para protestar contra a mudança da lei que define como
as terras indígenas são demarcadas.
Se o comportamento dos índios isolados e dos deputados deixa alguma
pista, é que continuamos longe de entender os povos que habitam a nossa
terra.
Quando retornaram à usina, os trabalhadores contaram sobre o
encontro, mas o supervisor deu risada, chamando-os de mentirosos. Como
se fosse impossível haver índios nas proximidades da obra, cravada no
meio da floresta amazônica.
Para Ivaneide, a precisão dos detalhes é a maior evidência da
veracidade da história. “Os trabalhadores eram de outros estados, uma
pessoa sem convivência com indígenas não poderia saber tanto. Ele
descreveu a pintura no peito, os traços no rosto dos homens, diferente
das mulheres, a pena do gavião real, como tratavam a ponta das flechas.
Até os detalhes de como montaram o moquém, que é onde assam a carne”.
Segundo ela, o relato bate com hábitos comuns a etnias que vivem ou
viveram na região, algumas consideradas extintas.
Existem 82 pistas de grupos indígenas isolados no Brasil, é a maior
concentração de povos isolados do mundo. Em março desse ano, os
funcionários da Funai fizeram uma carta aberta
com um “pedido de socorro”. Nela, escrevem que não há equipe para
proteger esses grupos, cujos territórios estão sendo invadidos pelas
grandes obras, madeireiros e traficantes.
Como lidar com índios isolados é um dos temas mais complexos dentro
da política indigenista. Talvez a pequena mensagem deixada pelo grupo
que resgatou os trabalhadores e pelos que invadiram o congresso seja
justamente sobre os nossos limites. Os índios tem um modo diferente de
ser, nem sempre seremos capazes de entende-los. Talvez esses encontros
sejam os momentos para refletir sobre os impactos das nossas escolhas. E
fazer um esforço para, a partir dessa nova realidade, respeitar as
escolhas deles.
Por Ana Aranha
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
ONU aprova criação de Estado Palestino para a Assembléia Geral
O
primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse nesta
quinta-feira que a aprovação da Palestina como Estado observador
pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) não
mudará a situação dos palestinos em relação ao Estado judaico.
O
chefe de governo ainda advertiu que a aprovação do pleito na
organização internacional afastará a possibilidade de obter um
Estado palestino. "A decisão da ONU não mudará nada no
terreno. Não vai fazer progredir a criação do Estado".
Netanyahu
destacou que o reconhecimento dos territórios palestinos como país
dependerá do reconhecimento de Israel como um Estado para o povo
judeu.
Segundo
ele, isso só acontecerá se forem dadas garantias reais de segurança
aos israelenses, que não estão no texto da resolução apresentada
à Assembleia Geral da ONU.
O
premiê também minimizou a votação, chamada por ele de "decisão
unilateral da ONU", e defendeu um processo de paz apenas entre o
governo de Israel e a Autoridade Nacional Palestina.
"Pouco
importa a quantidade dos que votarão contra nosso país, nenhum
poder no mundo pode me obrigar a fazer concessões sobre a segurança
de Israel".
Mais
cedo, o ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor
Lieberman, disse que os palestinos sairão perdendo se a ONU aprovar
o status de Estado observador na Assembleia Geral. "Esse
processo só aumenta as divergências e separa os dois povos de uma
solução", disse.
Os
palestinos dizem que recorreram à ONU porque Israel continua
ampliando os assentamentos em território ocupado e não está
interessado em negociar uma solução. Israel os acusa de violar os
acordos assinados com uma ação unilateral.
Desde
a entrada na ONU, em 1974, os palestinos são representados pela OLP
(Organização para Libertação da Palestina), que tinha o status de
entidade observadora. Agora, serão elevados a Estado observador.
O
novo status não significa o reconhecimento do Estado palestino. Pelo
direito internacional, o reconhecimento de Estados não se dá na
ONU, mas por outros países.
Agência
de Notícias Folha
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Ter um Futuro
Num debate no Rio
de Janeiro, ouvi do ativista francês Daniel Cohn-Bendit: "Em nossa
juventude, lutamos pela liberdade pensando que, com ela, faríamos o futuro que
queríamos; hoje, a juventude precisa usar essa liberdade na luta para ter algum
futuro".
De fato, a política
parece nos restringir a um longo presente, sem aprender com o passado nem
projetar o futuro.
O Congresso aprovou
o projeto que altera a destinação dos royalties do petróleo. O tema se arrasta
desde 2011, quando o Congresso aprovou o marco regulatório do pré-sal e deixou
os royalties para depois --das eleições, bem entendido.
A polêmica é sobre
a divisão entre Estados e municípios produtores e não produtores, que não foi
mediada na política e será arbitrada pela Justiça. Mais uma vez, o governo foi
atropelado por uma base parlamentar mobilizada por interesses imediatos e
pragmáticos.
Tão ou mais grave,
mas que não ganha manchetes, é a destinação dos recursos. Prevaleceu a solução
mais fácil, em que os governantes têm liberdade para gastar como querem, numa
pulverização de recursos "boa de voto" e péssima para o futuro do
país.
O petróleo é fonte
de energia poluidora, que acelera as mudanças climáticas, mas o mundo ainda não
pode prescindir dele. Energias renováveis e mais limpas --eólica, solar,
biomassa e etanol-- estão sendo desenvolvidas, mas ainda não são suficientes
para substituir totalmente o petróleo. Cabe à atual geração usar o que tem
antecipando-se aos problemas futuros.
Nos recursos do
pré-sal, devem ter prioridade educação, ciência e tecnologia, além da prevenção
das mudanças climáticas. Assim, o Brasil poderá liderar a transição para a
economia de baixo carbono. O governo acenou com os recursos para a educação,
mas não se empenhou na causa. E abandonou o Fundo Clima, criado no fim de 2009
com parte dos royalties do petróleo. O PL atual o deixa à míngua e compromete a
Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Como o governo e
sua base parlamentar vão manter os projetos de combate à desertificação no
semiárido nordestino, combate à erosão e gestão de áreas costeiras, prevenção
de desastres naturais, manejo florestal, monitoramento da emissão de
gases-estufa?
De onde virão os
10% do PIB para garantir o Plano Nacional de Educação que tramita no Congresso?
Como manter os recursos destinados ao Fundo Clima, para cumprir as metas da
política de mudanças climáticas? Devemos esperar que a próxima geração pense no
futuro quando ele tiver chegado?
Se brasileiros
considerarem seriamente a proposição dramática de Cohn-Bendit, "lutar para
ter um futuro", e o chamado de Stéphane Hessel, "indignai-vos!",
em pouco tempo a Europa pode ser aqui.
Marina Silva
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Primavera Árabe
O
termo Primavera
Árabe,
como o evento ficou conhecido, é uma alusão à
“Primavera de Praga” (momento de instabilidade sócio-política
que afetou a antiga Tchecoslováquia durante a época de sua ocupação
pela União Soviética nos anos de 1960). Embora, várias nações
afetadas não façam parte do "Mundo Árabe" e de ter se
iniciado durante o inverno do hemisfério norte, a nomenclatura chama atenção pelo fato de que os dois momentos históricos possuem causas em comum: a luta pela democracia e por melhores condições de vida da população.
Portanto, Primavera Árabe é o nome dado à onda de protestos, revoltas e
revoluções populares contra governos do mundo árabe que eclodiu em
2011. A raiz dos protestos é o agravamento da situação dos países,
provocado pela crise econômica e pela falta de democracia. A
população sofre com as elevadas taxas de desemprego e o alto custo
dos alimentos e pede melhores condições de vida.
Países
envolvidos: Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmem e
Barein.
Ditaduras
derrubadas: A onde de protestos e revoltas já provocou a
queda de quatro governantes na região. Enquanto os ditadores da
Tunísia e do Egito deixaram o poder sem oferecer grande resistência,
Muammar Kadafi, da Líbia, foi morto por uma rebelião interna com
ação militar decisiva da Otan. No Iêmen, o presidente Saleh
resistiu às manifestações por vários meses, até transferir o
poder a um governo provisório.
Transição
para as novas democracias: Tunísia e Egito realizaram
eleições em 2011, vencidas por partidos islâmicos moderados. A
Tunísia é apontada como o país com as melhores chances de adotar
com sucesso um regime democrático. No Egito, os militares comandam o
conturbado processo de transição, e a população pede a sua saída
imediata do poder.
Geopolítica
árabe: Os Estados Unidos eram aliados de ditaduras árabes,
buscando garantir interesses geopolíticos e econômicos na região,
que abriga as maiores reservas de petróleo do planeta. A Primavera
Árabe põe em cheque a política externa de Washington para a
região. A Liga Árabe, liderada pela Arábia Saudita e pelo Catar,
assume um papel de destaque na mediação das crises e dos conflitos
provocados pela Primavera Árabe.
Por Prof. Adriano Costa.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Mulheres com maiores escolaridade e renda adiam maternidade
Quanto mais
instruída ou mais rica, mais tarde as mulheres decidem pela maternidade,
segundo dados do Censo de 2010, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. A
idade média das mães da classe sem rendimento era de 25,7 anos em 2010. Já
entre as mulheres com renda superior a 5 salários mínimos per capita, a idade
subia para 31,9 anos.
Entre mulheres sem
instrução ou com ensino fundamental incompleto, a idade média para ter filhos
era menor (25,4 anos) do que das mulheres com ensino superior (30,9 anos), de
acordo com o IBGE.
Mulheres com superior
completo tinham também uma taxa de fecundidade mais baixa, de apenas 1,14
filho. Já as que estudaram no máximo até o fundamental incompleto geravam 3,09
filhos, em média.
Na faixa de renda de
até 1/4 de salário mínimo per capital, a taxa de fecundidade era de 3,90
filhos, caindo gradualmente até chegar a 0,97 filho de com renda superior a
cinco salários per capita.
Em média, a
fecundidade das mulheres brasileiras era de 1,9 filho por mulher, abaixo da
taxa de reposição da população --2,1 filho, um para substituir o pai e outro
para a mãe, além de uma "sobra" para compensar mortes de jovens.
IBGE/Censo 2010
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Turquia envia aviões de combate para fronteira com a Síria

Houve intensos
confrontos entre rebeldes e forças do governo sírio nesta semana em Azmarin e
em cidades vizinhas, uma área de forte oposição ao governo do ditador Bashar
Assad.
A luta ao longo dos
900 quilômetros de fronteira da Turquia com a Síria se espalhou pelo território
turco na semana passada, com o Exército turco respondendo a tiros e morteiros
disparados pela Síria.
O chefe do
Estado-Maior turco, Necdet Ozel, disse na quarta-feira (10) que suas tropas
responderão "com mais força" se os bombardeios continuarem a atingir
a Turquia, e o parlamento disse na semana passada que autorizou o envio de
tropas para além da Turquia, aumentando os temores de que a guerra civil síria
arraste também poderes regionais.
DA REUTERS, EM ISTAMBUL
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Taxa de Natalidade cai e população brasileira pode parar de crescer
Diante
de uma taxa de natalidade de apenas 1,7% (comparável a países como
França e Reino Unido), o Brasil caminha rapidamente para uma
estagnação de sua população. O Ipea projeta 200 milhões de
pessoas em 2020. Vinte anos mais tarde, em 2040, esse número
crescerá em apenas 4 milhões, prevê o instituto ligado à
Presidência da República.
Segundo
dados da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios),
viviam no país 195,2 milhões de pessoas em 2011. "O germe do
declínio populacional já está instalado no país, que são as
baixas taxas de fecundidade e o reduzido crescimento da população",
disse Ana Amélia Camarano, demógrafa do Ipea.
Para
a pesquisadora, o aumento populacional atual de apenas 0,7% ao ano e
a menor natalidade - que deve chegar a 1 filho por mulher em 2030 -
fazem o país migrar de uma "explosão de população" no
passado para uma "implosão de população" no futuro
próximo, acompanhada do envelhecimento da estrutura etária do país.
Um
dos problemas da estrutura etária envelhecida é que a força de
trabalho também recua, reduzindo a capacidade produtiva do país.
"Há apenas 20 anos ainda falávamos em explosão populacional.
O problema agora é outro. A questão é como prover saúde e
condições de autonomia a uma população cada vez mais
envelhecida", afirmou a demógrafa.
De
acordo com Camarano, as mulheres brasileiras tinham cerca de 6
filhos, em média, nos anos 50 e 60. Naquele período, a população
crescia a um ritmo anual superior a 3%. "Foi o nosso período do
'baby boom'", afirma.
A
taxa de fecundidade foi rapidamente declinando (com adventos como a
pílula e outros métodos contraceptivos e o aumento do nível de
educação) nos últimos anos. Atualmente, diz, ela está num nível
"consideravelmente abaixo" da chamada taxa de reposição
da população - de 2,14 filhos por mulher.
A
lógica embutida nessa taxa é a seguinte: cada mulher tem de gerar
duas crianças para "repor" o pai e ela própria; o 0,14
adicional é para compensar sobretudo aqueles que morrem antes de
terem filhos.
Com
tal dinâmica, prevê, só as faixas etárias acima de 45 anos vão
crescer a partir de 2030. De 2040 em diante, a única parcela que
crescerá em números absolutos será a de 60 anos ou mais.
O
Brasil caminha rapidamente, afirma, para ter um perfil populacional
"bastante envelhecido" e de fecundidade muito baixa (em
torno ou pouco acima de 1 filho por mulher), comparável aos países
do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia, sobretudo) e
do Japão.
França
e Reino Unido, diz, ainda mantêm uma estrutura um pouco mais jovem e
taxa de fecundidade maior graças ao peso da imigração.
FECUNDIDADE
POR RENDA
Para
Ana Amélia Camarano, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), a desigualdade na taxa de fecundidade entre mulheres de
faixas diferentes de renda abre caminho para uma a queda rápida até
os níveis dos países europeus do mediterrâneo e do Japão. Isso
num cenário que em o rendimento dos mais pobres no Brasil avança
mais rápido do que dos mais ricos.
Enquanto
entre as mulheres da faixa de renda com os 20% menores rendimentos
familiares a taxa de natalidade era de 3,6 filhos, na faixa dos
grupos familiares dos 20% mais ricos estava em 0,9 filho --abaixo da
taxa japonesa.
Pedro Soares - Adaptado por Prof. Adriano Costa
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Santa Eleição
Sou
um ardoroso defensor da laicidade do Estado, mas receio que ela não
possa ser estendida para eleições, como parece querer boa parte dos
intelectuais e políticos mais à esquerda.
Não
me entendam mal. Também eu gostaria que questões de fé, como a
filiação religiosa dos candidatos e suas posições em relação a
aborto, eutanásia etc. (que não são assuntos da alçada do
Executivo ou de prefeituras), não influíssem no pleito, mas, para
fazê-lo, precisaríamos eliminar o povo do processo de escolha, o
que provavelmente é uma má ideia.
Ao
contrário de juízes e outros servidores públicos, que precisam
justificar racionalmente suas decisões, o eleitor deve satisfações
apenas à própria consciência. Se, para ele, o fato de o postulante
ter vínculos com esta ou aquela igreja faz diferença, não há como
objetar a que leve isso em consideração na hora de votar.
O
que se pode fazer para preservar a laicidade do Estado é exigir que,
uma vez eleito, o administrador se paute pelos princípios
constitucionais que asseguram a neutralidade do poder público em
matéria religiosa. Eles incluem a proibição de subvencionar
igrejas, a necessidade de atuar de forma impessoal e a proteção a
direitos de minorias.
Os
crentes deveriam ser a parte mais interessada na manutenção do
Estado laico, que é essencialmente uma garantia de liberdade
religiosa. E, se há algo que realmente une todas as fés, do
catolicismo ao islamismo, é clamar por liberdade religiosa nos
países em que são minoritárias.
Voltando
à democracia, precisamos abandonar a noção de que ela funciona
porque cidadãos se debruçam sobre os problemas e, após cuidadosa
análise, escolhem as melhores propostas. Esse modelo existiu apenas
na cabeça de alguns filósofos do século 18 e do TSE. Democracias
dão certo principalmente porque canalizam para formas menos
violentas os conflitos existentes em qualquer sociedade.
Hélio Schwartsman
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Às Escondidas
A
usina de Belo Monte, ao secar a Volta Grande do rio Xingu, expõe ao
sol da opinião pública algo mais que o limo das pedras. A empresa
canadense Belo Sun Mining, do grupo Forbes & Manhattan, pretende
fazer ali o "maior programa de exploração de ouro do Brasil",
investindo mais de US$ 1 bilhão para extrair quase cinco toneladas
por ano do precioso metal.
Já
no Relatório de Impacto Ambiental da usina constava o interesse de
18 empresas em pesquisa e exploração mineral na área, mas o Ibama
achou esse dado irrelevante.
O
licenciamento da mineração está sendo feito pelo governo do Pará.
Tudo indica que o conhecimento do potencial mineral só é segredo
para a população, os "investidores" têm o mapa da mina
há tempos.
O
Brasil vive uma nova "corrida do ouro", silenciosa e oculta
da opinião pública, mas intensa ao ponto de fazer a atividade
mineradora saltar de modestos 1,6 % para expressivos 4,1% do PIB em
só dez anos.
Nem
é preciso dizer que esse aumento, embora inserido na ascensão
brasileira na economia mundial, é continuidade da velha condição
de colônia: as riquezas do subsolo brasileiro destinam-se, em sua
quase totalidade, ao comércio exterior. As "veias abertas da
América Latina" (feliz e triste expressão de Galeano)
continuam sangrando.
Por
trás dos grandes negócios e notórias fortunas, sempre financiadas
e facilitadas pelo Estado, oculta-se um submundo de devastação
ambiental e violência contra populações tradicionais.
O
Congresso Nacional avoca para si o poder de demarcar terras indígenas
e nelas licenciar atividades econômicas, enquanto discute um novo
Código Mineral e a criação de uma agência para o setor.
Enquanto
isso, pedidos de licenças para pesquisa e exploração continuam a
ser concedidas aos que chegarem, em processo pouco transparente.
No
Congresso, debate-se mudanças na lei para dificultar a demarcação
de novas áreas de proteção (reservas, parques, quilombos, terras
indígenas), diminuir o tamanho das já demarcadas e licenciar a
exploração de suas riquezas. Na forma como são feitas, as mudanças
atendem à demanda de grupos econômicos alheios aos interesses da
sociedade e do país.
O
governo entra com a negociação no varejo da política e as
justificativas publicitárias do "interesse nacional" e da
"inclusão social". À sociedade falta o que poucos detêm:
informações profundas que possibilitam definições estratégicas
que atendam a interesses mais amplos.
Na
vida pública, o debate superficial das questões mais importantes se
assemelha à infantilização promovida pelos candidatos que se
oferecem para cuidar do povo. A conversa dos adultos, entretanto, é
feita às escondidas. Até quando?
Marina Silva (Folha de São Paulo - 21/09/2012)
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Nada indica uma rápida solução da Crise na Síria
A recente visita a Damasco do enviado da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, e a reunião realizada esta semana no Cairo pelos chanceleres egípcio, iraniano e turco, em nada indicam uma pronta solução da crise na Síria.
"Ninguém
está em desacordo com a necessidade de deter o derramamento de
sangue e restaurar a harmonia entre a população nesse país",
disse na sua chegada Brahimi, mas prosseguiu sem adiantar propostas
ou ações sobre os caminhos que sua mediação seguirá.
Após
sua entrevista com o presidente Bashar al-Assad, declarou: "Não
há um plano agora, desenvolveremos um depois de nos reunirmos com
todos os envolvidos e espero que o plano seja útil para a salvação
da Síria".
No
Cairo, a ausência da Arábia Saudita, um dos principais inimigos do
povo sírio, abriu questionamentos, pois Riad, em cumplicidade com
Washington, é um dos principais financiadores de armas e de grupos
mercenários que atacam no território sírio.
Este
grupo, formado pelo presidente egipcio, Mohamed Morsi, em julho
passado, em uma cúpula islâmica em Meca e ratificado pela 16ª
Cúpula de Países Não Alinhados em Teerã, é mais uma entre outras
iniciativas, e vê-lo de forma otimista é uma leitura apressada.
Três dos seus membros pedem, para uma solução, a saída do governo
do presidente sírio, algo que não deve avançar e frearia qualquer
negociação antes de germinar.
Em
sua visita nesta quarta à capital síria, o chanceler persa, Ali
Akbar Salehi, ratificou seu apoio às posições das autoridades
governamentais sírias durante um encontro com o presidente al-Assad.
O presidente manifestou apoio a todas as iniciativas apresentadas
para encontrar uma solução para a crise, reafirmando que a chave
para o sucesso de qualquer delas consiste na sinceridade das
intenções de ajudar seu povo.
Ele
reiterou que seu país está aberto a negociações que respeitem a
soberania, a liberdade de decisão das pessoas e a rejeição de
interferência estrangeira. Em outras palavras, qualquer abordagem do
problema que insista em sua saída [de Assad] e esteja carregada de
ingerência externa, desconhecimento da soberania nacional e do
direito dos sírios de decidir sobre o seu próprio destino parece
encaminhada ao fracasso.
Seria
preciso esperar para ver se a outra iniciativa ou plano que Brahimi
decida seguir exclui as pressões sobre o que deve ou não fazer o
governo de Damasco.
A
abordagem de diálogo, reiterada pelas autoridades locais, foi
apoiada por mais de 24 organizações políticas e personalidades de
oposição, que convocaram uma conferência nacional de toda a
oposição e dos partidos de dentro e fora, para resolver a crise.
Os
participantes indicaram que o chamado surge para alcançar um diálogo
entre sírios, sem pré-condições ou pré-conceitos, e para
trabalhar em busca de deter o derramamento de sangue e preservar a
integridade territorial e a unidade nacional.
Essa
é uma das máximas que Brahimi defendeu, mas é preciso ver qual é
a reação de fatores externos que apoiam com financiamento, armas e
todo tipo de ajuda, os bandos irregulares, que até agora se negam a
dialogar. Quando os grupos armados cogitam isso, põem como condição
a saída de al-Assad do governo.
Além
disso, o Ocidente confirmou sua intenção de continuar "colocando
lenha na fogueira" com o envio de armas e mercenários, segundo
indicou uma fonte russa e apontaram notícias divulgadas pela
imprensa internacional.
Aqueles
que apoiam a violência se preparam para enviar um grande lote de
suprimentos militares aos grupos armados sírios, revelou a mídia em
Moscou.
Recentemente
veículos de comunicação divulgaram a chegada ao porto turco de
Iskanderun, na costa leste do Mediterrâneo, de 400 toneladas de
material de guerra da Líbia, que foram transportadas no navio
"Victoria", com destino aos irregulares sírios.
Nos
últimos dias, o Exército Árabe Sírio destruiu vários veículos
com armas, entre eles diferentes tipos de mísseis, incluídos os
SAM-7, que tinham como destino os bandos armados, qualificados como
terroristas pelas autoridades.
Nesta
difícil situação, o governo procura cortar o fornecimento de
suprimentos para os bandos, enquanto estes e seus aliados persistirem
no uso de armas.
Até
agora, nada indica uma situação otimista para a solução da crise
síria que acabe com a violência, que, segundo disse Mahatma Gandhi
disse, "é o medo dos ideais dos demais."
Por Luis Beaton, em Prensa Latina
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Manifestantes rasgam bandeira da embaixada dos EUA no Cairo
Centenas
de manifestantes escalaram os muros da embaixada dos Estados Unidos
no Cairo e arrancaram a bandeira americana, pendurada no prédio,
durante protestos contra um filme considerado ofensivo ao islã.
No
lugar da bandeira americana --rasgada em pequenos pedaços--, os
manifestantes tentaram hastear uma bandeira negra com a frase "Não
há Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta", disse um
repórter da agência Reuters presente no local.
Segundo
o site do jornal egípcio "Ahram", os manifestantes são
cerca de 4.000 pessoas, a maioria salafistas, que responderam ao
chamado de um líder religioso, Abdel-Wareth, para um protesto
público contra o filme "Muhammad's Trial" ("O
Julgamento de Maomé") --produzido nos EUA e que, segundo os
críticos muçulmanos, insulta o profeta.
Muçulmanos
consideram ofensiva qualquer reprodução de imagens que retratem
Maomé.
"Este
filme deveria ser proibido imediatamente e deveriam pedir desculpas
por ele. É uma desgraça", afirmou Ismail Mahmoud, um jovem de
19 anos que estava no protesto. Ele era membro de um grupo de
torcedores de futebol que tiveram papel importante nos protestos que
derrubaram o ditador Hosni Mubarak no ano passado.
Os
manifestantes deveriam se reunir às 17h (horário local), em frente
à embaixada americana no Cairo, segundo a convocação de
Abdel-Wareth, que também é presidente do canal de TV egípcio
Hekma.
Imagens
do episódio também foram exibidas pela rede de TV americana CNN.
O
protesto, inicialmente pacífico, ficou tenso depois que
manifestantes começaram a lançar fogos de artifício. Alguns
presentes pensaram que o barulho fosse de tiros.
O
Exército egípcio interveio, cercando a embaixada para conter a
situação. Não há relato de feridos ou mortos, nem de danos ao
edifício da embaixada.
POLÊMICA
O
filme controverso está sendo produzido por um grupo de egípcios
cristãos coptas, incluindo Esmat Zaklama e Morees Sadek, com apoio
do pastor americano Terry Jones.
Várias
igrejas locais do Egito condenaram o filme nos últimos dias,
declarando que os produtores não representavam a comunidade cristã
do Egito. Os cristãos no Egito somam cerca de 10% da população de
83 milhões de habitantes do país.
Líder
de uma igreja evangélica da Flórida, Jones queimou em abril o Corão
[livro sagrado muçulmano]-- em um ato do qual participavam 20
pessoas e que foi exibido ao vivo pela internet-- e exigiu a
libertação do pastor evangélico iraniano Youssef Nadaryani.
Nadaryani
foi condenado à morte por apostasia, ao ter abandonado a religião
muçulmana há 16 anos e ter se convertido ao cristianismo.
REAÇÃO
As
autoridades dos EUA não haviam ainda comentado oficialmente o
incidente.
No
entanto, mais cedo na terça-feira a embaixada havia divulgado uma
nota condenando todos aqueles que agredissem os muçulmanos ou os
seguidores de qualquer religião.
"Nós
rejeitamos firmemente as ações daqueles que abusam do direito
universal de livre expressão para ferir crenças religiosas de
outros", declarava o comunicado.
Um
dos slogans rabiscado nos muros da embaixada, que fica próxima da
praça Tahrir (palco dos protestos em massa contra Mubarak), dizia:
"Se sua liberdade de expressão não tem limites, aceite nossa
liberdade de ação." (Agência de Notícias – Folha de São
Paulo – 11/09/2012)
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Crise na Zona do Euro
Ao
lado disso, desde 2008 o Mundo vem assistindo a queda do sistema
financeiro Estadunidense causado pela especulação imobiliária e
por uma classe média afundada em financiamentos a longo prazo.
Para
se financiar muitas nações (Portugal,
Irlanda, Itália, Grécia e Espanha),
passaram a acumular dívidas. Assim, a relação do endividamento
sobre o PIB ultrapassou significativamente o limite de 60%
estabelecido no Tratado de Maastricht, de 1992, que criou a zona do
euro. No caso da economia grega, exemplo mais grave de descontrole
das contas públicas, a razão dívida/PIB é mais que o dobro deste
limite. A desconfiança de que os governos da região teriam
dificuldade para honrar suas dívidas fez com que os investidores
passassem a temer e a não investir em ações, em títulos públicos
e privados europeus.
O
resultado dessas inseguranças financeiras é a desvalorização do
EURO no comércio mundial. Na primeira metade do ano (2012), o que se
viu foi um movimento de venda de ações e títulos europeus e a
fuga para ativos considerados seguros, como os títulos do Tesouro
norte-americano. Tal movimento, de procura por dólares e abandono do
Euro, fez com que a cotação da moeda europeia atingisse valores
historicamente baixos. As moedas também refletem o vigor das
economias. Assim, argumentam os analistas, a tendência a longo prazo
é de fortalecimento do dólar e das moedas dos países emergentes,
enquanto a Europa não conseguir resolver seus problemas fiscais e
criar condições para um crescimento econômico mais acentuado.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Atividade sobre Modificadores do Relevo - 1ºano
RELEVO
– “O relevo corresponde às diversas configurações da crosta
terrestre (montanhas, planaltos, planícies,
depressões, etc.). [...] A disciplina científica que estuda as
formas de relevo, sua origem, a estrutura e os processos responsáveis
por sua evolução é a Geomorfologia. O relevo resulta da atuação
de dois grandes conjuntos de fatores denominados agentes do relevo”.
(Coelho, Marcos A. e terra, Lygia. geografia geral: o espaço natural
e socioeconômico. Moderna, 2001. p. 82). AGENTES
DO RELEVO:
a)
Internos
ou Endógenos
– Processos estruturais que atuam do interior para o exterior:
tectonismo, vulcanismo e abalos sísmicos.
b)
Externos
ou exógenos
– Processos esculturais que atuam externamente, modificando as
paisagens, como o intemperismo, a ação das águas, do vento, do
mar, do gelo e dos seres vivos entre outros.
De posse dessas informações e do vídeo: "Forças da Natureza: vulcões", responda em seu caderno as atividades:
a) Qual a importância da Geomorfologia para o Planejamento Territorial?
b) Estabeleça a diferença entre Fenômenos Naturais e Impactos Ambientais.
c) Explique a Tectônica de Placas e relacione com a hipótese da Deriva Continental.
Orientações:
- cada resposta deve conter no mínimo 07 linhas;
- como mencionado, a atividade deve ser realizada no caderno; não sendo feita em folhas avulsas;
- a atividade deve ser entregue ao professor dentro do prazo estipulado.
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