quinta-feira, 10 de abril de 2014

China: a nova potencia do século XXI?

Atualmente a China vem sendo classificada, pelos analistas econômicos, como a grande potência do comércio mundial. Porém, a análise do contexto de formação do território chinês a partir do século XV, retrata que o Socialismo de Mercado possibilita o crescimento da economia em detrimento do desenvolvimento social.

Professor Adriano Costa

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A arte de ter razão: resumo dos 38 estratagemas de Schopenhauer

Em “A Arte de Ter Razão”, Schopenhauer traçou 38 estratagemas para vencer qualquer discussão, mesmo quando se está errado. Nelas descreve estratégias para defender suas crenças, ridicularizar seus rivais e manipular as pessoas. São técnicas que têm efeito de curto prazo, uma vez que você consegue o seu objetivo no momento (convencer alguém a fazer/aceitar algo que não deseja) mas algum tempo depois, a vitória pode se voltar contra nós, quando a pessoa descobrir que foi manipulada.
O link que se segue mostra um resumo dos 38 estratagemas. Conheça-os, pratique-os, e se resguarde da falta de deontologia social.

Por Professor Adriano Costa

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Arquitetura do Extermínio

Para quem não acredita, muito boa informação sobre a escalada gradual do nazismo germânico pode ser encontrada no filme "Arquitetura da destruição" ["Undergångens arkitektur"], um clássico do cinema documentário produzidocom pouquíssimos recursos materiais.
Não nos iludamos quanto à semelhança entre nazistas históricos e alguns homens do presente (evangélicos ou não) que andam por aí tratando coisas demasiadamente humanas como se fossem as trombetas do Apocalipse. O nazismo também começou assim: meia dúzia de psicóticos atiçando os instintos higienistas do povo, repetindo à exaustão que a Alemanha estava moralmente poluída, degradada... Deu no que deu. Logo após a ascensão de Adolf Hilter ao poder, loucos e alienados já eram incinerados em falsos manicômios secretos. Depois, foi o Holocausto: ciganos, homossexuais, judeus, negros. Nenhum desses grupos agradava ao rancor de província dos "certinhos".

O filme reúne uma impressionante documentação fotográfica e audiovisual sobre o chamado "Terceiro Reich", mostrando inclusive que a "mania de limpeza" de Hitler e seus comparsas era de uma coerência horripilante. De maneira monstruosa, baseava-se em padrões formais de beleza "inspirados" nos contornos do Classicismo e da Antigüidade greco-romana. Com essa documentação e uma locução primorosa (na voz do consagrado ator Bruno Ganz), o diretor do filme, Peter Cohen, mostra bem aos seus espectadores como Hitler foi uma espécie de idiota pop: confundiu a vida real com a fabricação tirânica de um mundo "puro". E, como era um borderliner, decidiu "adequar" seu país àquela fantasia diabólica, eliminando fisicamente os "indivíduos" que, segundo o seu juízo delirante, eram por assim dizer "pontos fora da curva" em relação a uma suposta cultura germânica: aberrações e anomalias segundo os princípios organizadores de sua obssessão. Isso lembra algo sobre o besteirol conservador atual ao redor dos gays?
Grande parte dos pregadores que hoje jogam sobre nós sua peçonha patinam nessa mesma loucura esquisóide. Humanismo zero. Seu desvio consiste em negar aos irmãos o direito à lacuna, ao vazio, à ausência e à falha, como se fôssemos máquinas retilíneas de obedecer a preceitos.
Por isso, quem tem a cabeça e o coração no lugar certo se assombra quando vê engravatados em catarse que, em nome de princípios morais religiosos, glorificam o assassinato brutal de poetas, compositores e humanistas de todo o tipo. O delírio hitlerista também tinha seu quê de teocracia: Hitler achava-se um herói cuja missão eram "limpar" a Europa (e o Mundo) de uma alegada "decadência". E a pior das decadências, para ele e seus seguidores, era exatamente a "mistura".
No contexto dos debates atuais sobre nazismo e direitos humanos, sobretudo no Brasil, o filme de Peter Cohen merece ser visto e revisto. Faz pensar em questões importantes que atravessam a nossa tradição de tolerância e convivência interétnica, que um punhado de malucos decidiu agora atacar.
Por José Guilherme

Índios isolados, trabalhadores em fuga: um encontro amazônico

Os seis trabalhadores da construção civil estavam perdidos em meio à floresta amazônica, no norte de Rondônia. Algumas horas antes, eles tinham corrido mato a dentro para fugir do caos que tomara o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, onde a Polícia Militar reprimia o movimento grevista, em 2011. Depois de andar cerca de seis quilômetros, o grupo tentava encontrar o caminho de volta à obra, ou a estrada, ou qualquer sinal de urbanidade. Sem sucesso.
Ao invés disso, foram encontrados.
Sem perceber que estavam sendo cercados, os trabalhadores uniformizados se viram rodeados por oito índios nus. Eles tinham o rosto e corpo pintados, flechas em punho e “murmuravam" palavras em uma língua que os trabalhadores não conheciam. Mas logo interpretaram o sentido: estavam rendidos.
Índios isolados no Acre, fotografados pela Funai em 2008
Hoje, excepcionalmente, esse espaço não será dedicado a um retrato, mas a um encontro. Encontro que pode servir de pista para compor o retrato dos povos indígenas que habitam o nosso país e os quais temos tanta dificuldade de entender.
Assustados, os trabalhadores da usina se comportaram como prisioneiros dos índios. Seguiram seus passos e pararam quando eles sinalizaram. O coração disparava a cada vez que os índios se reuniam em círculo. Observaram a construção de uma espécie de churrasqueira com gravetos, onde um porco do mato foi assado. Disfarçando o mal estar, comeram cada pedaço de carne que lhes foi oferecido. À noite, um dos trabalhadores foi repreendido pelos colegas por espiar os seios da índia mais nova, a regra era olhar para o chão.
A madrugada avançou, alguns índios deitaram e adormeceram. Os trabalhadores ficaram alertas. Pela manhã, caminharam até chegar a um local onde se ouvia um barulho familiar. Os índios sinalizaram em direção ao som, disseram algumas frases que ninguém entendeu e foram embora. Os trabalhadores correram na direção indicada até que, exaustos, chegaram à rodovia federal BR 364.
Esse relato foi registrado pela historiadora Ivaneide Bandeira Cardozo, da ONG indigenista Kanindé, que entrevistou um dos trabalhadores na presença de um funcionário da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ela acredita que os homens e mulheres descritos sejam parte de um grupo que a entidade e a Funai tentam rastrear há anos. “Pela descrição, parecem ser Kawahiba isolados”.
“Isolados” são os índios que não têm contato com a nossa sociedade, ou porque nunca cruzaram com um não-índio (casos cada vez mais raros) ou porque recusam o contato.
Na região que foi alagada pela usina de Jirau, havia rastros de um grupo isolado e nômade. A empresa repassou dinheiro para que a Funai mapeasse esses rastros. Depois de identificados, eles deveriam ganhar uma área de proteção. Mas o investimento não foi suficiente para encontrar ou proteger os índios.
Ao contrário, foram eles que encontraram e salvaram os funcionários da usina. “É difícil entender o que passou na cabeça dos índios quando viram os trabalhadores perdidos”, reflete Ivaneide. “Por que decidiram ajudar? Nunca vamos saber”.
O encontro ocorrido em 2011 é o reflexo oposto do desencontro que se deu na Câmara dos Deputados essa semana. Na terça dia 16, em uma cena inédita, os deputados federais correram pelo plenário como uma manada assustada. Fugiam de homens seminus, pintados de urucum e que balançavam seus chocalhos para protestar contra a mudança da lei que define como as terras indígenas são demarcadas.
Se o comportamento dos índios isolados e dos deputados deixa alguma pista, é que continuamos longe de entender os povos que habitam a nossa terra.
Quando retornaram à usina, os trabalhadores contaram sobre o encontro, mas o supervisor deu risada, chamando-os de mentirosos. Como se fosse impossível haver índios nas proximidades da obra, cravada no meio da floresta amazônica.
Para Ivaneide, a precisão dos detalhes é a maior evidência da veracidade da história. “Os trabalhadores eram de outros estados, uma pessoa sem convivência com indígenas não poderia saber tanto. Ele descreveu a pintura no peito, os traços no rosto dos homens, diferente das mulheres, a pena do gavião real, como tratavam a ponta das flechas. Até os detalhes de como montaram o moquém, que é onde assam a carne”. Segundo ela, o relato bate com hábitos comuns a etnias que vivem ou viveram na região, algumas consideradas extintas.
Existem 82 pistas de grupos indígenas isolados no Brasil, é a maior concentração de povos isolados do mundo. Em março desse ano, os funcionários da Funai fizeram uma carta aberta com um “pedido de socorro”. Nela, escrevem que não há equipe para proteger esses grupos, cujos territórios estão sendo invadidos pelas grandes obras, madeireiros e traficantes.
Como lidar com índios isolados é um dos temas mais complexos dentro da política indigenista. Talvez a pequena mensagem deixada pelo grupo que resgatou os trabalhadores e pelos que invadiram o congresso seja justamente sobre os nossos limites. Os índios tem um modo diferente de ser, nem sempre seremos capazes de entende-los. Talvez esses encontros sejam os momentos para refletir sobre os impactos das nossas escolhas. E fazer um esforço para, a partir dessa nova realidade, respeitar as escolhas deles.
Por Ana Aranha

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ONU aprova criação de Estado Palestino para a Assembléia Geral


O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira que a aprovação da Palestina como Estado observador pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) não mudará a situação dos palestinos em relação ao Estado judaico.
O chefe de governo ainda advertiu que a aprovação do pleito na organização internacional afastará a possibilidade de obter um Estado palestino. "A decisão da ONU não mudará nada no terreno. Não vai fazer progredir a criação do Estado".
Netanyahu destacou que o reconhecimento dos territórios palestinos como país dependerá do reconhecimento de Israel como um Estado para o povo judeu.
Segundo ele, isso só acontecerá se forem dadas garantias reais de segurança aos israelenses, que não estão no texto da resolução apresentada à Assembleia Geral da ONU.
O premiê também minimizou a votação, chamada por ele de "decisão unilateral da ONU", e defendeu um processo de paz apenas entre o governo de Israel e a Autoridade Nacional Palestina.
"Pouco importa a quantidade dos que votarão contra nosso país, nenhum poder no mundo pode me obrigar a fazer concessões sobre a segurança de Israel".
Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse que os palestinos sairão perdendo se a ONU aprovar o status de Estado observador na Assembleia Geral. "Esse processo só aumenta as divergências e separa os dois povos de uma solução", disse.
Os palestinos dizem que recorreram à ONU porque Israel continua ampliando os assentamentos em território ocupado e não está interessado em negociar uma solução. Israel os acusa de violar os acordos assinados com uma ação unilateral.
Desde a entrada na ONU, em 1974, os palestinos são representados pela OLP (Organização para Libertação da Palestina), que tinha o status de entidade observadora. Agora, serão elevados a Estado observador.
O novo status não significa o reconhecimento do Estado palestino. Pelo direito internacional, o reconhecimento de Estados não se dá na ONU, mas por outros países.
Agência de Notícias Folha

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ter um Futuro

Num debate no Rio de Janeiro, ouvi do ativista francês Daniel Cohn-Bendit: "Em nossa juventude, lutamos pela liberdade pensando que, com ela, faríamos o futuro que queríamos; hoje, a juventude precisa usar essa liberdade na luta para ter algum futuro".
De fato, a política parece nos restringir a um longo presente, sem aprender com o passado nem projetar o futuro.
O Congresso aprovou o projeto que altera a destinação dos royalties do petróleo. O tema se arrasta desde 2011, quando o Congresso aprovou o marco regulatório do pré-sal e deixou os royalties para depois --das eleições, bem entendido.
A polêmica é sobre a divisão entre Estados e municípios produtores e não produtores, que não foi mediada na política e será arbitrada pela Justiça. Mais uma vez, o governo foi atropelado por uma base parlamentar mobilizada por interesses imediatos e pragmáticos.
Tão ou mais grave, mas que não ganha manchetes, é a destinação dos recursos. Prevaleceu a solução mais fácil, em que os governantes têm liberdade para gastar como querem, numa pulverização de recursos "boa de voto" e péssima para o futuro do país.
O petróleo é fonte de energia poluidora, que acelera as mudanças climáticas, mas o mundo ainda não pode prescindir dele. Energias renováveis e mais limpas --eólica, solar, biomassa e etanol-- estão sendo desenvolvidas, mas ainda não são suficientes para substituir totalmente o petróleo. Cabe à atual geração usar o que tem antecipando-se aos problemas futuros.
Nos recursos do pré-sal, devem ter prioridade educação, ciência e tecnologia, além da prevenção das mudanças climáticas. Assim, o Brasil poderá liderar a transição para a economia de baixo carbono. O governo acenou com os recursos para a educação, mas não se empenhou na causa. E abandonou o Fundo Clima, criado no fim de 2009 com parte dos royalties do petróleo. O PL atual o deixa à míngua e compromete a Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Como o governo e sua base parlamentar vão manter os projetos de combate à desertificação no semiárido nordestino, combate à erosão e gestão de áreas costeiras, prevenção de desastres naturais, manejo florestal, monitoramento da emissão de gases-estufa?
De onde virão os 10% do PIB para garantir o Plano Nacional de Educação que tramita no Congresso? Como manter os recursos destinados ao Fundo Clima, para cumprir as metas da política de mudanças climáticas? Devemos esperar que a próxima geração pense no futuro quando ele tiver chegado?
Se brasileiros considerarem seriamente a proposição dramática de Cohn-Bendit, "lutar para ter um futuro", e o chamado de Stéphane Hessel, "indignai-vos!", em pouco tempo a Europa pode ser aqui.

Marina Silva

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Primavera Árabe


O termo Primavera Árabe, como o evento ficou conhecido,  é uma alusão à “Primavera de Praga” (momento de instabilidade sócio-política que afetou a antiga Tchecoslováquia durante a época de sua ocupação pela União Soviética nos anos de 1960). Embora, várias nações afetadas não façam parte do "Mundo Árabe" e de ter se iniciado durante o inverno do hemisfério norte, a nomenclatura chama atenção pelo fato de que os dois momentos históricos possuem causas em comum: a luta pela democracia e por melhores condições de vida da população.
Portanto, Primavera Árabe é o nome dado à onda de protestos, revoltas e revoluções populares contra governos do mundo árabe que eclodiu em 2011. A raiz dos protestos é o agravamento da situação dos países, provocado pela crise econômica e pela falta de democracia. A população sofre com as elevadas taxas de desemprego e o alto custo dos alimentos e pede melhores condições de vida.
Países envolvidos: Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmem e Barein.
Ditaduras derrubadas: A onde de protestos e revoltas já provocou a queda de quatro governantes na região. Enquanto os ditadores da Tunísia e do Egito deixaram o poder sem oferecer grande resistência, Muammar Kadafi, da Líbia, foi morto por uma rebelião interna com ação militar decisiva da Otan. No Iêmen, o presidente Saleh resistiu às manifestações por vários meses, até transferir o poder a um governo provisório.
Transição para as novas democracias: Tunísia e Egito realizaram eleições em 2011, vencidas por partidos islâmicos moderados. A Tunísia é apontada como o país com as melhores chances de adotar com sucesso um regime democrático. No Egito, os militares comandam o conturbado processo de transição, e a população pede a sua saída imediata do poder.
Geopolítica árabe: Os Estados Unidos eram aliados de ditaduras árabes, buscando garantir interesses geopolíticos e econômicos na região, que abriga as maiores reservas de petróleo do planeta. A Primavera Árabe põe em cheque a política externa de Washington para a região. A Liga Árabe, liderada pela Arábia Saudita e pelo Catar, assume um papel de destaque na mediação das crises e dos conflitos provocados pela Primavera Árabe.
Por Prof. Adriano Costa.